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Letrux relembra sonhos: “Já fiquei com a Fiona Apple, já voei para a Rússia”; veja fashion film

Por André Aloi

Letrux é a capa digital de RG! A segunda parte da entrevista está disponível abaixo (junto como fashion film de Clara Soria). Sem papas na língua, a cantora carioca fala que ama dormir e seus sonhos mais malucos: “Já fiquei com a Fiona Apple, já voei para a Rússia, atravessando o atlântico. Quando ia fazer isso?”, ri.

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A cantora, que lançou “Letrux Aos Prantos” na última semana, diz que um dos tópicos discutidos na terapia (ou análise, como gosta de chamar) é para parar de pedir desculpas em situações aleatórias. “Tudo eu falo: ai, perdão. É uma palavra forte, peguei da minha mãe. Tem que ter cuidado em não falar só pra resolver. Viver é complexo e subjetivo”.

LEIA A PARTE 1 DA ENTREVISTA

Para ela, suas músicas servem para se entender: “sempre tive necessidade de transformar o que eu sinto (em arte), seja pra me compreender – que bom que outras pessoas gostam – mas é quase um egoísmo”. Leia a íntegra:

O QUE TE ABALA?
“Talvez seja cinismo, pessoas que levantam o queixinho e desdenham de alguma circunstância e causas, que requer um pouco mais de um olhar sensível e (elas) dão de ombros. Fico: “sério?”. Já fiquei mais abalada com gente que não pede desculpa , hoje em dia já fiquei mais tough (forte, em inglês) pra isso. Nada me abala, mas estou mais abala quem está cínico”.

NO QUE PERDE TEMPO?
“Não sou (do tipo): ‘sou superior, sou hippie, fico isolada na floresta’. Imagina! Sou totalmente addicted ao Instagram. Estou melhorando… Amo cozinhar, vou criando meus momentos, minhas receitas, minhas loucurinhas. Quando a natureza tá perto, me desconecto mais. Por isso eu acho que não moraria em São Paulo porque eu ia entrar num looping funcional da cidade. Eu sou capricorniana. Eu odeio o exército, mas se tivesse servindo, seria um bom (soldado)… porque sou rotina (OK, acordar cedo).”

PENSA EM DEIXAR O BRASIL?
“Portugal é um país f…, socialista, com questões de aborto sendo discutidas, a legalização da maconha”. Mas não pensa em seguir o mesmo caminho que alguns amigos. “Adoro viajar, mas gosto de morar aqui, da língua portuguesa, do feijão…”. Até tentou trocar o Rio por São Paulo em 2016, mas foram apenas oito meses. Sentiu que precisava do mar quando – em uma visita do namorado – resolveu ir de Uber para Guarujá, no litoral sul de São Paulo, e a corrida deu mais de R$ 100. “Gosto de morar no Rio, apesar da sanidade e insalubridade desse Verão com a questão da água, é uma coisa espiritual”, resume sua relação com a cidade.

PELO QUE CHORAS?
“Absolutamente tudo. Se você me mostrar um vídeo da sua sobrinha, de gatinhos, cachorros e insetos. Posso chorar com a beleza de um inseto. E também com desigualdade, trauma, histórias barra-pesada, filmes tristes, preconceito em geral. Essa matéria (sobre as trans presas), do Drauzio Varella, quem não se debulhou? Então, choro por tudo”.

PEDE DESCULPAS QUANDO NÃO TEM CULPA?
“Triste, né? Estou fazendo análise para parar de pedir desculpas em situações aleatórias. Tudo eu falo: ai, perdão. É uma palavra forte, peguei da minha mãe. Tem que ter cuidado em não falar só pra resolver. Viver é complexo e subjetivo.”

PAPEL DA ARTE
“É transformador. Não é uma escolha (também é, na verdade). Eu sentia uma coisa, pegava o diário e escrevia. Transformava uma dor ou alegria em poema. Sempre tive necessidade de transformar o que eu sinto, seja pra me compreender – que bom que outras pessoas gostam – mas é quase um egoísmo”.

WHITE PEOPLE PROBLEMS
“Gosto de reclamar sobre a falta de cidadania das pessoas em situações bem corriqueiras que atrapalham o desenvolvimento do seu dia: fila do banco, do mercado… Situações muito pequenas que, durante o dia, isso vai atravancando. Fico: gente, olha só, se a gente colocar o carrinho assim, não atrapalha e todo mundo ganha.”

CÊ TÁ POR DENTRO DA MODA?
“Eu sou sempre uma pessoa estabanada, esquisita, que me esforço para ser elegante. Existe uma natureza de criança estabanada que nunca some. Vou me utilizar dos recursos que eu tenho. Sou uma pessoa alta, magra, branca… Então, eu tento. Mas são anos de bullying, esquisitice, de nãnãnã, que é difícil acordar e ser a Silvia Pfeifer“.

COMPRA COISAS CARAS?
“Sou muito estabanada. Não posso ter iPhone caro, óculos caro. Não compro! Compro óculos do mocinho da praia, por R$ 20. Eu nunca achei que fosse comprar uma camisa de couro preto (de uma marca brasileira). Foi uma aquisição meio maluca. Já perdi dois iPhones (um para a maré, o outro caiu um isotônico na bolsa e oxidou). Estrago tudo”.

JULGA MUITO AS PESSOAS?
Meu julgamento não parte de um look ou de um modo de falar. Sou tão mística que meu julgamento é pura intuição. Ela pode falar errado, uma coisa preconceituosa. Mas é a minha intuição que fala: aquela pessoa não, aquela sim. Às vezes, alguém fala: que estranho! E eu dei sim pra ela. Julgo porque sou ser humano, mas tendo a deixar os canais abertos para ver se sou surpreendida.

SONHOS E INSPIRAÇÕES
“Já fiquei com a Fiona Apple nos meus sonhos, já voei para a Rússia, atravessando o atlântico. Quando ia fazer isso? Eu preciso desse momento delirante até para eu acordar no mundo capitalista e pagar uma conta fazer sentido. Tenho que vir de um lugar alucinante”, discorre. Fiona Apple faz parte de sua egrégora de mulheres que inspiram ao lado de Patti Smith, PJ Harvey, Maria Bethânia, Marina Lima e Rita Lee.


CRÉDITOS DA EQUIPE
Personagem: Leticia Letrux
Foto: Felipe Morozini
Vídeo: Clara Soria
Entrevista: André Aloi
Stylist: Bruno Uchôa
Beleza: Bruno Cézar
Assistente de foto: Alice Hellman
Tratamento de imagem: Carolina Antoniazzi

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