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André Torquato estrela peça com temática LGBTQIAP+ em formato inédito

Foto: Henrique Resende

O brasiliense André Torquato é um dos protagonistas de A Herança”, versão nacional do clássico da Broadway The Inheritance”, de Matthew Lopez, adaptada e dirigida por Zé Henrique de Paula e idealizada por Bruno Fagundes. Em um formato inédito no Brasil, o espetáculo será apresentado em duas partes – cada uma com cerca de duas horas e trinta minutos de duração – e chega a São Paulo em 09 de março.

“É como maratonar seis episódios de uma série, três em cada dia. A estrutura dramatúrgica utilizada pelo Matthew López se utiliza de ferramentas para criar essas expectativas no fim de cada ato, fazendo com que a plateia se mantenha envolvida durante todo o desenrolar da trama. Ainda que seja possível assistir apenas uma das partes, visto que ambas se resolvem dramaticamente, tenho certeza que o público vai se identificar tanto com a trama e os personagens, que vão correr para assistir a outra”, diz o ator.

Foto: Henrique Resende

A história une diversas gerações de homens gays que se encontram para compreender o que a comunidade LGBTQIAP+ significa para eles e para o mundo. “Acredito que uma das maiores mensagens que a peça traz é que nós, como seres humanos vivos no presente, somos responsáveis pela relação entre o nosso passado e consequentemente o futuro. A partir da perspectiva dessa comunidade, a peça expõe a herança que a nossa geração carrega, das perdas e vitórias do passado, e como isso afeta a maneira que nos relacionamentos hoje em dia, com nós mesmos e com o mundo.”

Na trama o ator interpreta dois personagens opostos – Adam, um jovem de classe alta de Nova York – e Léo, um garoto de programa nascido na pobreza. “Adam é um aspirante a ator que busca caminhos para lançar sua carreira. Rico, simpático, culto e determinado, ele usa dessas características para conseguir o que quer. Em contraponto, Léo é um garoto de programa vítima de um sistema que o oprime de todos os lados. Mesmo vindo de realidades completamente distintas, ambos buscam entender o seu lugar no mundo”, conta.

Foto: Henrique Resende

Além de Torquato, o elenco principal conta com Reynaldo Gianechini, Bruno Fagundes, Marco Antônio Pâmio e Rafael Primot. A cenografia é de Zé Henrique de Paula, com figurinos de Fábio Namatame e trilha original de Fernando Maia.

“É um elenco dos sonhos. Temos profissionais de universos muito diferentes, televisão, cinema e teatro, que se propuseram a contar essa história de uma maneira muito bonita. A troca que temos durante os ensaios é deliciosa e eu aprendo diariamente com cada um deles. Poder estar criando algo tão grandioso junto com essa galera é uma honra.”

Foto: Henrique Resende

No ano passado, Torquato foi um dos destaques de Tatuagem”, musical baseado no filme homônimo de Hilton Lacerda. O enredo trazia um grupo de teatro em Recife durante um dos momentos mais obscuros da nossa história, a ditadura militar.

“Ambas as peças falam da comunidade LGBTQIAP+ de perspectivas diferentes, uma da repressão durante a ditadura militar no Brasil e a outra a partir de uma visão atual sobre as dificuldades que enfrentamos atualmente. Acho que uma das semelhanças que podemos encontrar é como as nossas relações interpessoais continuam sendo afetadas pela marginalização, e que mesmo com os avanços sociais e culturais, ainda carregamos essa repressão de maneira internalizada.”

Foto: Henrique Resende

Sucesso de crítica e do público, a produção teve sua temporada estendida, de dois para sete meses, e garantiu a Torquato o prêmio Bibi Ferreira e o Troféu Imprensa Digital de Melhor Ator Coadjuvante em Musical. “É sempre bom ser reconhecido, mas ter ganhado por um trabalho como ‘Tatuagem’ foi bastante especial, principalmente por se tratar de uma produção independente. É um musical que tinha a transgressão por natureza, e que não consegue aporte de patrocínio justamente por essa mensagem, então esse prêmio se trata de uma realização enorme”, finaliza.

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