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Dennis Pinheiro protagoniza “Fantasma Neon”, curta nacional que concorre no Festival de Locarno

Foto: Oseias Barbosa

Com 32 anos, o mineiro Dennis Pinheiro viu seu nome ganhar o mundo quando foram anunciados os concorrentes da 74ª edição do Festival de Locarno, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo, que acontece na Suíça entre os dias 4 e 14 de agosto. O ator, que vive no Rio de Janeiro, é o protagonista do curta “Fantasma Neon”, dirigido por Leonardo Martinelli, que foi selecionado na seção competitiva Pardi Di Domani.

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“Eu lembro que estava voltando de uma gravação na Globo. Estava no carro quando o Leonardo (Martinelli) me ligou e disse que tinha data de estreia. Fiquei surpreso, porque o filme só seria lançado em 2022. Eis que ele diz que iríamos estrear dia 12 de agosto, só que no Locarno Film Festival. Eu não conseguia parar de rir de tão nervoso que fiquei (risos)”, comenta o ator.

No curta musical, Pinheiro dá vida a João, um brasileiro que rala todos os dias, e mesmo com a romantização do trabalho, mostra que o povo vive sem as mínimas condições que garantam ao cidadão segurança física, emocional ou financeira.

“O João é um sonhador, como todo brasileiro, na sua eterna busca pela felicidade. Não posso dar spoiler, mas posso dizer que ‘Fantasma Neon’ fala da sua busca em achar seu lugar no mundo, trabalhando para realizar seu maior sonho (mesmo que pra lembrar desse sonho ele precise que alguém o relembre) que é comprar uma moto e conhecer o Brasil”, completa o interprete do entregador de app.

Além de Pinheiro, a produção conta com Silvero Pereira, além de atores e dançarinos de passinho, já o filme que conta com partes de canto e dança.

“Quando eu soube que ia contracenar com o Silvero eu fiquei meio nervoso. Esse curta é minha estreia no cinema e fiquei tenso em trabalhar com alguém que fez tanto sucesso recentemente em ‘Bacurau’. Nos encontramos primeiro no estúdio, quando fomos gravar as músicas do filme, e conversando com ele fui ficando mais tranquilo. Ele é um profissional nota 10 e uma pessoa super do bem. Só de observar ele trabalhando aprendi muito e espero poder repetir a experiência em breve, seja nas telas ou no teatro”, ressalta Pinheiro.

Foto: Sofia Leão

Sobre a repercussão da indicação de “Fantasma Neon”, ele diz que apesar da felicidade, não cria expectativas e que está muito feliz em estar concorrendo a umas das principais categorias do festival.

“Só o fato de estarmos concorrendo na categoria principal de curtas em Locarno, eu poderia dizer que com isso todas as expectativas foram superadas. Estamos concorrendo com outros trabalhos de alto nível, então estar na seleção já é uma grande vitória. Obviamente ganhar o festival seria incrível para a carreira de todos nós, mas isso está na mão do corpo de jurados. Então vamos aproveitar o momento de curtir a nossa estreia (imagina que eu ainda não assisti ao filme finalizado, só vou assistir na estreia em Locarno no dia 12 de agosto de 2021 (risos). Vamos para o festival, a Suíça abriu algumas exceções para ir e nós nos encaixamos nelas. Já estamos de passagens compradas e aguardando ansiosamente pra que a cotação do Franco Suíço caia, pois está mais alta que o euro (risos)”, diz o ator.

No cinema, esse é o primeiro trabalho do ator, mas o mineiro de Aimorés, cidade do interior leste de Minas Gerais, já é um nome bastante conhecido do teatro musical, ao todo já fez 13 espetáculos.

“Desde que mudei para o Rio de Janeiro, há oito anos, tinha vontade de trabalhar com musicais, pois já cantava e gosto bastante da linguagem. Entre os musicais que me marcaram estão o “S’imbora o Musical – A História de Wilson Simonal”, meu primeiro trabalho profissional, com direção de Pedro Bricio; “Merlin e Arthur”, da Aventura Entretenimento, onde tive a chance de trabalhar com muita gente incrível, entre elas Vera Holtz, que sou fã, Paulinho Moska, Larissa Bracher, Gustavo Machado, entre outros, sob a direção de Guilherme Leme Garcia, “Yank! – O Musical”, um dos trabalhos mais lindos que já fiz e em algumas sessões pude interpretar o protagonista Mitch Addams, sob a direção do incrível Menelick de Carvalho; “Elizeth a Divina”, espetáculo sobre a vida de uma das maiores vozes que o Brasil já teve, onde trabalhei com Izabella Bicalho, Jefferson Almeida e Cilene Guedes, tendo Sueli Guerra como diretora e João Fonseca na supervisão. Outro trabalho que destaco, que não foi musical, mas que me marcou, foi “O Doce Pássaro da Juventude”, clássico de Tennessee Williams, com direção do querido Gilberto Gawronski, onde pude contracenar com lendas vivas do teatro e televisão como Vera Fisher, Ivone Hoffman, Mário Borges, entre tantos outros”, relata.

Quem o vê hoje, não sabe que a sua mudança, do interior de Minas para o Rio, foi importante para “tirar a timidez”, algo que faltava para que ele se destacasse nos palcos.

“Eu comecei a fazer teatro quando ainda era estudante de agronomia na UENF (Universidade Estadual no Norte Fluminense Darcy Ribeiro). Queria ser menos tímido, porque eu cantava sertanejo e MPB em barzinhos e ficava com muito medo de interagir com o público. Eu brincava que eu cantando era o mesmo que fosse um tronco de árvore (risos), pois eu ficava apavorado. Subia no palco, mas só conseguia cantar, nada mais. Uma coisa foi puxando a outra e quando percebi eu estava de mudança para o Rio de Janeiro para estudar na escola técnica de teatro Martins Penna. Logo no meu primeiro ano no Rio, me profissionalizei, ao passar nas audições para o elenco de “S’imbora o Musical – A História de Wilson Simonal”, daí foi paixão à primeira, segunda, terceira vista (risos). Amo o que faço”, lembra Pinheiro.

Foto: Sofia Leão

Essa estreia tem um gostinho especial para o ator, já que além de atuar na produção, ele leva consigo o que mais ama fazer nos palcos: cantar e dançar.

“‘Fantasma Neon’ é um filme com momentos musicais, então nesses momentos, apesar do frio na barriga, senti que estava no palco, a diferença é que no teatro a gente faz o número uma vez por sessão, já no filme eu gravava mais vezes cada cena. Foi um desafio e tanto, mas como era uma equipe super profissional, o trabalho se tornou ainda mais prazeroso”, finaliza.

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