Cultura

Tomie Ohtake abre mostra com obras de Tomie e músicas de Chico César

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Foto: Divulgação

A sala especial dedicada à Tomie Ohtake com mostras de longa duração, traz novo recorte de sua produção, desta vez acompanhado de composição musical. O curador Paulo Miyada concebeu “Tomie Ohtake – Os Sons dos Sins” a partir de um gênero chamado jisei, poema que reconhece a transitoriedade da vida e acolhe a inevitabilidade da morte; associado à sabedoria zen budista, evoca silêncio e transformação. Até 23 de janeiro de 2022.

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Para o curador, neste momento do mundo e do País em que enfrentamos a perda inenarrável de milhares de vidas e ponderamos como continuar e, ao mesmo tempo, como respeitar o silêncio de um estado de luto duradouro, seria oportuno reencontrar a pintura última de Tomie Ohtake. 

Foto: Divulgação

“Por analogia, é possível considerar a última série de pinturas feitas por Tomie Ohtake – monocromos brancos de superfície revolta que delineia sutis sombras e texturas – como uma espécie de despedida de vida, seu próprio jisei pictórico”, afirma Miyada.

Posicionada ao fundo de um longo corredor escurecido, iluminada por um foco de luz tênue, essa pintura está acompanhada por uma seleção de gravuras e, a cada meia hora, o espaço será tomado pelo cântico “Béradêro”, de Chico César, cordialmente cedido pelo músico. 

Foto: Divulgação

Conforme destaca Miyada, “um acalanto brasileiro, aboio de esperança e dor que, entre outras coisas, nos diz”:

            “A contenteza do triste

            Tristezura do contente

            Vozes de faca cortando

            Como o riso da serpente

            São sons de sins, não contudo

            Pé quebrado verso mudo

            Grito no hospital da gente”

Foto: Divulgação

“Esses versos reverberam como um convite para que se dê tempo ao caminhar, ao olhar e ao sentir. Algumas gravuras de Tomie Ohtake ladeiam esse percurso com lampejos de cor e forma, ao ritmo de memórias que porventura cada visitante trará de pessoas próximas e distantes atingidas pela pandemia. Imagino que Tomie Ohtake se surpreenderia com essa apresentação de sua obra, mas também imagino que ela se orgulharia, como me orgulho, desta instituição que se entende como parte de uma sociedade que é sua verdadeira razão de existência e continuidade. Mesmo agora. Sobretudo agora”, completa Miyada.

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