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Gravuras raras de Maria Bonomi e Goya serão apresentadas na Casa-Museu Ema Klabin

“Balada do Terror”, litografia sobre papel (1971) de Maria Bonomi. – Foto: Google Arts and Project

A Casa-Museu Ema Klabin continua com uma rica programação cultural  pelo projeto #CasaMuseuEmCasa. Em agosto, o público poderá ver importantes obras da Coleção Ema Klabin que não fazem parte do percurso de exposição permanente.

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A partir do dia 5 de agosto, uma exposição virtual apresenta o álbum “Balada do Terror e 8 Variações”, da artista Maria Bonomi, um dos principais nomes da criação artística no Brasil. Maria Bonomi também dará um depoimento em vídeo sobre a concepção dessa obra que faz uma crítica a ditadura militar brasileira.

Além disso, a partir do dia 16 de agosto também será apresentada, em #ObraEmSuaCasa,  duas gravuras da série “Os Desastres da Guerra” de Francisco de Goya, que trazem um relato dos horrores da invasão napoleônica na Espanha. O público será incentivado a dialogar e mostrar suas impressões utilizando os comentários nas redes sociais ou pela hashtag #ObraEmSuaCasa.

“Cromossoma Cromática”, litografia sobre papel (1971) de Maria Bonomi – Foto: Google Arts and Project

Em 1971, Maria Bonomi e Jayme Maurício organizam uma grande exposição no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. Na abertura foi lançado o álbum “Balada do Terror e 8 Variações”, um conjunto de 9 litografias, cujo processo se iniciou ainda em 1968 com o mestre impressor Octávio Pereira, recém-saído da Gemini, em Los Angeles, um dos mais importantes ateliês de gravura dos Estados Unidos. Sua tiragem foi bem reduzida: apenas 20 exemplares. A dedicação de Maria Bonomi foi tanta na realização da obra que 1.400 estágios e provas foram destruídas no processo de seleção da cor, do registro e da composição. E depois de completar a tiragem das vinte coleções da balada, Maria Bonomi inutilizou cada matriz.

O álbum abre com um índice no qual são apresentados comentários da artista e anotações técnicas. O conjunto é uma explícita crítica à ditadura militar brasileira e às ações contra a dignidade humana perpetradas no período.

Ema Klabin adquiriu seu exemplar quando o álbum foi exposto na Galeria Cosme Velho, em São Paulo, demonstrando o olhar atento que a colecionadora sempre teve para itens de notável importância.

Maria Bonomi conheceu a colecionadora e mecenas Ema Klabin ainda jovem, por frequentarem os mesmos círculos sociais. Depois tiveram bastante contato na Bienal, onde Ema era conselheira e, a partir disso, começou a comparecer a exposições e cursos que Maria realizou.

“Réquiem”, litografia sobre papel (1971) de Maria Bonomi – Foto: Google Arts and Project

A Coleção Ema Klabin também possui duas gravuras da célebre série “Os Desastres da Guerra”, produzida por Francisco de Goya entre os anos de 1810 e 1815. São elas “Enterrar y Callar” e “Caridad”. Composta por 82 gravuras, a série “Os Desastres da Guerra” é um relato vívido e cru dos horrores da invasão napoleônica na Espanha no reinado de Fernando VII. Em 1808, o povo de Madri se insurge contra o Exército napoleônico acirrando a guerra que culminaria com a libertação da Espanha em 1814.

Goya havia se dirigido à cidade de Saragoça (cidade natal do artista) a pedido do general Palafox, com outros artistas, a fim de retratar o que estava ocorrendo na batalha. Saragoça foi palco de um dos mais violentos ataques do exército napoleônico. Goya, por sua vez, contemplou os horrores e o que há de mais vil e cruel do instinto humano e o retratou no conjunto de gravuras. Nas cenas desenhadas pelo artista, não há heróis ou nação, não há lados opostos ou questões políticas, há apenas as consequências da guerra: morte, violência e fome.

De acordo com a coordenadora do educativo do museu, Cristiane Alves, as gravuras em metal geralmente combinavam as técnicas de água-forte e água tinta, recurso que podemos ver nas gravuras pertencentes à Coleção Ema Klabin:

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