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Milhem Cortaz será pai de família à moda antiga em nova trama na TV

Ele é conhecido por vários papéis na TV e no cinema, mas foi em “Tropa de Elite”, como coronel Fábio, que ficou famoso para o público geral. O contador de formação Milhem Cortaz fez curso de teatro na Itália e viajou a Europa representando até voltar para o Brasil e dar continuidade à carreira. Mas não sem antes trabalhar como administrador na Cesp (Companhia Energética de São Paulo), onde comandava 23 unidades.

Esse é um trabalho do qual nunca mencionei, mas que tenho muito a agradecer aos meus patrões, pois eles me permitiram estudar teatro nesse meio tempo. E aqui estou hoje!”, conta o ator, que estará na próxima trama das nove da Rede Globo, “Amor de Mãe”.

Em entrevista ao RG, Cortaz fala da carreira, da família, dos projetos e de sua luta contra a síndrome do pânico, que já dura 16 anos e que ele aprendeu a controlar com a natação.

Lei a seguir íntegra desse papo com o ator. 

Você é formado? Em quê?

Sou formado em contabilidade e minha formação teatral foi pela Piccolo di Milano, na Itália. Foi nessa companhia de teatro, que é uma das mais tradicionais da Itália, onde me formei e trabalhei por três anos fazendo Commedia Dell’arte, no teatro de rua. Viajei a Europa inteira com eles.

Já trabalhou em algo que não como ator? Em quê? Quando?

Em 1991, eu retornei para o Brasil e fui trabalhar na Cesp (Companhia Energética de São Paulo), na área financeira, onde administrava 23 unidades do interior. Esse é um trabalho do qual nunca mencionei, mas que tenho muito a agradecer aos meus patrões, pois eles me permitirem estudar teatro nesse meio tempo. E aqui estou hoje! 

Como começou sua carreira de ator?

Quando eu tinha 11 anos fui a um encontro de jovens numa igreja na Moóca, levado pelos meus pais. Era uma criança bastante criativa. Em um desses encontros, enquanto fazia joguinhos cênicos, Walmor Chagas entrou, assistiu algumas coisas, quis conversar  comigo e me convidou para brincarmos de fazer teatro. Fui fazer uma peça do Lauro César Muniz, “O Santo Milagroso”, onde o diretor era o Walmor. Isso ficou no meu coração como mais uma experiência para aprender a ter e fazer escolhas na vida, assim como a natação, o judô e o karatê, o teatro também fez parte disso.

Anos depois, fui morar na Itália, onde fiquei por cinco anos. E em uma dessas caminhadas pela cidade de Milão, encontrei o teatro Piccolo di Milano. A princípio me matriculei e fui fazer o curso por achar que seria um bom exercício para o meu italiano, onde o praticaria no dia a dia. Acabou que fiz amigos, pratiquei o italiano e daí em diante, a minha história na arte começou. Fiquei no Piccolo, fui convidado para fazer uma audição na Commedia Dell’arte, quando tinha 16 anos. Fiz a audição, passei e fiquei por três anos rodando a Europa no teatro de rua. Voltei para o Brasil, fui para a Escola Superior de Artes Célia Helena, fiquei seis meses e achei que ali não era o meu lugar. Fui para o Antunes (Filho), fiquei dois anos e meio e esse foi o início da minha história. 

Você é um cara que já fez muito cinema, quais obras mais te encantaram?

Todos os meus filmes, eu gosto muito! Costumo fazer somente aquilo que tenho muita vontade e tem proximidade comigo. Mas, “A Concepção”, de Zé Eduardo Belmonte, é um filme que eu tenho muito carinho. “Querô”, com direção do Carlos Cortez, onde conheci diversas crianças, hoje são todas cineastas e/ou atores. Gosto muito do “Carandiru”, de Héctor Babenco, que foi meu primeiro filme. Aliás, Héctor teve muita coragem em pegar um menino que quase ninguém conhecia e entregar a ele um dos protagonistas. Tem o “Garotas do ABC”, de Carlos Reichenbach. Diretor esse que tenho uma saudade enorme. O “Tropa de Elite”, foi um filme que fez o meu trabalho ficar popular. Tem o “O Lobo Atrás da Porta”, que eu acho, que é o melhor filme que eu fiz e que eu estou.

Esses são os meus trabalhos que eu tenho paixão e carinho!

Na novela “O Sétimo Guardião” você era um personagem andrógino, meio machão, delegado, meio alternativo, um cara que curtia vestir calcinhas, como foi criar esse personagem? Sei lá, sobretudo porque você faz o tipo machão.

Joubert Machado é um personagem que me enche de orgulho e vai ficar na minha memória para o resto da minha vida. Um personagem que me desafiou muito e me desafiou a colocar esse tema em uma novela das nove, fazendo com que as pessoas enxergassem ele de mente aberta, no momento sombrio em que vivemos. Acho que deu certo! Um personagem que me fez enxergar melhor as ruas e as pessoas. O público me fez construir em silêncio, o que eles queriam ver. Foi um trabalho bonito e respeitoso! 

Como foi para você a repercussão desse personagem, já que ele era querido pelas pessoas?

Um personagem que me enche de orgulho e que foi muito bem aceito pelas pessoas, foi o Joubert Machado, de “O Sétimo Guardião. Ele é um cara engraçado, cheio de vitalidade, com seus trejeitos e suas fraquezas. Aquela fortaleza que ele era e, ao mesmo tempo, um homem apaixonado pela vida, pela mulher, pela família, pela cidade e pelo que ele fazia. Um cara positivo, de uma beleza que eu só tenho a agradecer ao autor e ao público, que foi tão querido com esse personagem.

Está com algum projeto de cinema?

Eu estou finalizando o segundo filme deste ano. O primeiro foi o “Galeria Futuro”, com direção do Fernando Sanches, um elenco incrível. Uma comédia ácida, que tive o imenso prazer em fazer, que contava com um roteiro ágil, inteligente e tende a ser um filme maravilhoso.

Estou terminando o filme “Aparecidas”, um road movie somente de senhoras, encabeçada pela Eva Wilma, Norma Blum, Neusa Borges, Karin Rodrigues e Miriam Mehler. São pessoas que eu admiro! Mescla humor, fala de solidão, o passado entre amigas e suas lembranças. Um filme vital nesse momento, uma grande celebração a essas divas e às pessoas da terceira idade. Eu faço o motorista do ônibus que leva essas pessoas até a parada final. 

Na nova novela “Amor de Mãe” seu personagem é bem diferente do anterior, conte sobre ele.

“Amor de Mãe”, da Manuela Dias. Ainda não sei muita coisa, apenas que ele é um médico fisiatra, casada com a Miranda, personagem da Débora Lamm, e teremos dois filhos. É um casal à moda antiga, super alto astral, com uma vida super livre. Dois pássaros voando num céu de brigadeiro, carregando suas crias. Acredito que vai ser bem legal!

Como é sua vida em família?

Eu acho que uma vida à moda antiga! Eu sou casado com a Ziza Brisola, que é uma atriz. Tenho uma filha de 11, que é a Helena. Estamos há 20 anos juntos! Nossa união se tornou o lugar mais importante da minha vida. Minha casa, minha família, meu porto seguro. Local onde eu me reabasteço, me exponho, onde eu tenho colo, onde eu recebo e onde eu me doo, onde eu aprendo a conviver em conjunto, onde eu amo. É o lugar onde o amor acontece. É o lugar que, se ele não existisse, eu não existiria também. Eu não sei viver sem essas duas pessoas na minha vida. Eu agradeço do fundo do meu coração pela existência delas e por me fazerem um homem melhor a cada dia. Me ajudam a enxergar o mundo de uma forma muito diferente, a caminhar de uma forma honesta e íntegra. Somos uma família íntegra, com todos esses adjetivos e todas essas palavras maravilhosas que quem está dentro, ou quem faz parte – os poucos amigos que fazem parte -, desse vida enxerga essa beleza com que eu descrevi para vocês. Aprendo muito com essas mulheres! Eu falo disso e meu olho fica cheio de lágrima. 

Como você mantém o corpo, tem algum ritual? Malha, luta, anda, corre, o que gosta de fazer?

Eu fui capoeirista durante 11 anos, um esporte que está presente no meu coração! Sempre treinei, pratiquei esportes, faço musculação e, de quatro anos pra cá, me apaixonei pela natação. Tenho aulas diariamente e nado em média de 1,5 km a 2 km por dia. Me ajuda muito no controle da minha síndrome do pânico, que tenho há 16 anos e nunca tomei remédio, pois busco controlar de forma diferente. A natação trabalha a respiração e a síndrome do pânico, em boa parte, se trata disso. 

Tem alguma coisa que você adora comer, mas evita? Se sim, por quê? Corpo? Dieta?

Não, eu não faço dieta e não tenho restrição nenhuma com alimentação. Me alimento bem, como de tudo, não me privo de nada. É isso!

Quais são seus rituais de beleza, tem algum?

Para manter minha beleza? Rituais? De repente eu fico um pouquinho mais gordinho, para minha cara não ficar tão engomada (risos).

Quais são seus próximos projetos paralelos à novela?

Projeto paralelo eu não tenho! É impossível fazer novela e algo em paralelo, pelo menos pra mim (risos). A única coisa que gostaria de falar, é de um projeto importantíssimo de um amigo, o Mundano, que é um grafiteiro. Ele tem um projeto lindo, chamado “Pimp my Carroça”, um trabalho que ele realiza com os catadores de rua, onde ele colore as carroças das pessoas, que aos nossos olhos, são invisíveis. Eu adoraria que todo mundo fosse atras desse Instagram que é o @pimpmycarroca, e de um aplicativo que esse cara fez, o “Cata Aqui”, um app que você consegue encontrar os catadores que são cadastrados e se encontram perto da sua casa, para retirar seu lixo reciclável.  

Fotos: E3 fotografia.
Beleza: André Florindo.
Styling: Sator Endo.

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