Cultura

Por ligia kas 06.10.2019

Filme de ação: Duda Nagle vai treinar com dublê de Hollywood

Ele estudou publicidade, teatro, fez teste de oficina para a  TV Globo, mas entrou em uma novela direto. Pensou em ser jornalista, publicitário e diretor. Agora, atua em “A Dona do Pedaço” e dirige o programa da mãe no YouTube. Duda Nagle fez um monte de coisas, mas, acima de tudo, é um cara que batalha pelos próprios sonhos e é pai da Zoe, a pequena que é fruto de seu relacionamento com a apresentadora Sabrina Sato.

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Em entrevista ao RG, Duda se mostrou ser uma pessoa curiosa pela vida. Quer criar muito, fazer cinema, ser pai de dois ou três filhos e, sobretudo, ser avô, quando avalia que mudará sua alegria em ser pai. “É a melhor coisa da vida até hoje. Talvez quando eu for avô isso seja superado”, diz a respeito da paternidade.

O curso de teatro o ajudou a se livrar de um desconforto que sentia ao falar em público, não era bem uma timidez, mas a exposição frente a pessoas que não conhecia. Superou. Cresceu nos bastidores da TV vendo a mãe, Leda Nagle, apresentar telejornais e se encantou com a adrenalina do jornalismo. Mas foi mesmo como ator e diretor que se encontrou, e vai além, tem projetos de trazer para o Brasil um dos maiores dublês de Hollywood, Bobby Holland Halton, e treinar e aprender com ele.

Leia a seguir íntegra da entrevista com o ator:

Você é formado, em quê?

Fiz a faculdade de Publicidade e Propaganda. Gostava de saber da engrenagem do show business… Queria ser diretor de criação. Ficava estudando a carreira do Nizan (Guanaes), do Washington Olivetto, das campanhas. Comecei a estudar teatro no meio do curso para poder falar melhor em público, performar melhor nas apresentações de trabalho porque eu era solto com os amigos, mas ficava desconfortável na presença de estranhos. Não conseguia desempenhar com a mesma capacidade. O curso de teatro veio pela sugestão da minha mãe, que disse que eu precisava conhecer a Camila Amado. Então, passei a fazer as aulas particulares com ela. E lembro bem que ela me colocava para fazer as situações mais desafiadoras e ridículas da minha vida, até então. Tive que cantar na frente de uma VJ da MTV que também fazia aula com ela, tive que decorar versos de Hamlet (tenho até hoje o “Be or not to be” na minha cabeça). Depois comecei a ler mais sobre o assunto e fui fazer aula na Casa da Gávea, que ela coordenava a grade. Passei a gostar muito.

Pensou e algum momento em seguir os passos de sua mãe e ser jornalista?

Já pensei sim. Passei minha infância nos bastidores da TV. Ia com minha mãe e ficava no canto, em silêncio, brincando, enquanto ela fazia os telejornais. Gostava de ver as coisas acontecendo, da adrenalina, da tensão de se colocar o programa no ar, e um dia comecei a pensar em trabalhar na linha de frente do show business como ator e, ao mesmo tempo, ser meu produto, minha agência de publicidade, ser meu contratante, meu contratado,  ter uma vida superdinâmica. Isso eu tinha 19 anos.

Hoje, produzo e dirijo o Canal Leda Nagle no Youtube. Convido os entrevistados, sou cinegrafista do canal (comprei os equipamentos que usamos), muitas vezes sou eu que gravo, algumas vezes edito, sirvo cafezinho no set, faço os bastidores para as redes sociais. Então, de certa forma, posso dizer que hoje estou ali no universo do jornalismo. Tem sido uma experiência muito agregadora. Sou outra pessoa depois desses dois anos e meio de canal. Isso agora me deu confiança para começar a produzir coisas maiores na minha área, como um showrunner. Nos últimos anos, concluí que quero investir nesse ramo da ação, dos efeitos especiais, que eu curto desde pequeno. Acho que é um universo que vem crescendo cada vez mais.

Como começou sua carreira de ator?

Oficialmente, com 20 anos, quando o Wolf Maia comentou com a minha mãe, durante uma entrevista, sobre a oficina de atores da Globo. Fiz o teste para lá e para uma novela da emissora ao mesmo tempo. Fui aproado para a novela e não parei mais.

Como é voltar para a TV e em uma novela do horário nobre?

Quando surgiu o convite pra um lutador de boxe na TV, vi todos os meus sonhos se realizando ao mesmo tempo, já que tenho me dedicado bastante a trabalhos de ação. Nas novelas que fiz, sempre que tinha cena de luta, ação, capotamento, salvamento no mar, eu ficava animadíssimo. Mas nunca matei nem morri num trabalho. (risos)

Como se inspirou para criar seu personagem?

Em muitas coisas. Paixão (personagem de Duda em “A Dona do Pedaço”) tem muitas referências da vida real, da ficção e da nossa experiência de vida. Como praticante de lutas marciais, sabia da rotina, de como funcionava a cabeça de um lutador, o mental de um atleta de alto desempenho.

E isso tudo afeta a vida de um atleta, como o lado amoroso, basta olhar como o Paixão, meu personagem, lida com a parte do romance com a Kim (Monica Iozzi). É um cara que vive no 220V, disposto a matar ou morrer, que tem até atitudes criminosas. Mas é um cara que faz tudo isso de forma engraçada. Ele é carismático. As pessoas gostam de vê-lo fazendo besteira. (risos) Tenho recebido um ótimo feedback nas ruas, o público me aborda dizendo que odeia o Paixão, mas fala isso rindo. E isso é bem legal, porque a função dele era essa mesmo.

Tem planos de fazer cinema ou teatro?

Gosto muito de teatro, mas agora tenho muitos planos para o cinema. Quero me especializar nessa parte de lidar com as câmeras, lidar com essa tecnologia, as técnicas de cinema, é o que quero fazer e venho fazendo.

O que você faz para manter o corpo? Luta, academia, musculação?

Faço essas atividades. E posso combinar essa parte física com a arte dramática.

Tem alguma restrição alimentar, algo que não come para manter o corpo?

Tem a parte estética de boxe que o Paixão precisa ter. Então, para o trabalho, fiz uma dieta bem restrita para queimar gordura. Eu foquei em secar porque a TV sempre engorda. Tive que fazer mais definição muscular. Minha dieta é de maior restrição a carboidratos… Não como pão e bolo há meses, e açúcar também. Ainda cortei todos os laticínios. Tirei tudo que é alérgeno, que causa retenção de líquido e atrapalha o metabolismo. E não bebo nada, nada, nada alcoólico desde que recebi o convite para a novela. Também evito adoçantes, embutidos e corantes. Como muita carne, ovo, abacate, castanha, salada, brócolis, couve-flor, peixe, abobrinha, aspargo, maçã, laranja, tangerina, abacaxi.

Como é ser pai?

É a melhor coisa da vida até hoje. Talvez quando eu for avô isso seja superado. Zoe começou agora a engatinhar pela casa toda e já mostra que está mais solta, mais esperta, está com mais poder porque aprendeu a engatinhar…. A cada semana ela aprende novas coisas, vai abrindo uma nova perspectiva… É muito bom de ver, de testemunhar, de ajudar a conduzir, e de aprender muito também.

Como é a vida e família com Sabrina e a pequena Zoe?

Sabrina e ela acabaram de chegar de viagem.  Foi o recorde da saudade: 10 dias longe. Mas foi ótimo ela ter levado a Zoe com ela, porque eu estou nômade, moro em SP, mas gravo no Rio, ainda viajo a trabalho. Não ia adiantar a Zoe ficar aqui longe da mãe e do pai. A logística dela também foi loucamente incrementada por conta da Zoe na viagem com ela, mas foi tudo ótimo. Agora, estamos brincando muito, matando a saudade. Temos uma rotina muito maluca…e o bom é que os dois se entendem, sempre damos um jeito. A gente não trabalha em horário comercial. Aqui não tem isso de dia útil. E a gente se compreende e se fortalece. Por mais diferente que seja a vida dos pais, como a gente está em harmonia, a Zoe tem tudo para ter um ambiente forte, pra crescer bem.

Quais são seus próximos planos para depois da novela?

Vou trazer paro Brasil o Bobby Holland Halton, que é o maior dublê de Hollywood. Ele está em todos os filmes de sucesso. Ele faz o Thor, o Capitão América, O Batman… Está no “Star Wars”, no “Missão Impossível”, no “Piratas do Caribe”, no “007” …Ele é uma fera. E vou trazê-lo por conta própria, num empreendimento, para aprender com ele e trazer para o mercado nacional toda essa perspectiva das grandes produções internacionais. Quero estudar e achar um jeito de replicar isso aqui no Brasil.

O que você adora comer?

Doce, chocolate, torta de chocolate, pudim…. E o que me ajuda a fazer dieta é que eu prefiro nem comer se for só para comer um pedacinho. Ou como metade do bolo, ou não como. Sou 8 ou 80 na dieta, mas já estou na contagem regressiva para o dia que gravar a última cena da novela, vou comer muito doce (risos). E isso vai coincidir com a  festa de um ano da Zoe. Serão dois dias que vou abrir essa exceção.

O que não come de jeito nenhum?

Acho que evito comer por comer, sem prestar atenção, de qualquer jeito, por ansiedade.

Um drink

Gin tônica com tônica zero, de preferência

Um sonho

Produzir, dirigir, escrever e atuar num grande filme de ação.

Um filho ou mais? 

Quero mais uns 2 ou 3 filhos… ficar com a casa cheia. Meu maior sonho é ter muitos filhos e muitos netos.

O que não faria de novo? 

Não sei… Acho que tudo o que a gente é, é reflexo do que a gente viveu. Inclusive a parte ruim.

Política ou futebol?

Tenho acompanhado pouco o futebol. Acho que a política não tá dando para a gente fugir. Estamos em um momento que, mesmo que você não queira, você acaba participando. Ela está em todos os lados hoje.

Treino ou descanso?

Descanso não tem graça se não for depois de um treino (risos). Então, prefiro treino, que é quando você se aplica pra melhorar

Um recado

A frase que vi na escadaria do Sumaré, onde gosto de treinar. Fui lá ontem depois de muito tempo sem ir, porque me mudei…. “Não existe elevador para o sucesso. Você tem que ir de escada”.

  • Foto: Sérgio Baia
  • Foto: Sérgio Baia
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