Cultura

Por Redação 27.09.2019

Exposição “Duas Crônicas” no museu A Casa

A artista Maria Fernanda Paes de Barros e o fotógrafo autoral Marcelo Oséas apresentam a exposição conjunta “Duas Crônicas”, com a união de duas temáticas indígenas de etnias diferentes e trabalhos que remetem à identidade dessas comunidades. A exposição acontece em outubro no Museu A Casa, em São Paulo, instituição que tem como foco na produção cultural brasileira, contribuindo para o reconhecimento, valorização e desenvolvimento da produção artesanal ou semiartesanal.

Após uma exposição independente de grande sucesso, em março, Oséas traz uma nova apresentação de sua série fotográfica “Uma Crônica Munduruku”, fruto de uma imersão na etnia amazônica que dá nome à série, localizada no baixo Tapajós.

As imagens do dia a dia refletem o desejo da comunidade de fazer a manutenção do seu cotidiano, mesmo com o contato com a sociedade de consumo e as pressões do mercado de turismo e empreendimentos regionais. Depois de um ano de pesquisa material e da vivência com a aldeia Munduruku, Oséas produziu os retratos, realizados no plano digital da fotografia, impressos via Fine Art em P&B e colorizadas manualmente com pigmentos naturais coletados na região amazônica. Esse trabalho resultou na série fotográfica que teve participação da comunidade na seleção e construção das fotografias. Esta nova abordagem reflete a aceitação positiva do público durante a primeira exposição das imagens.

Somando às fotografias de Oséas, Maria Fernanda apresenta “Kwasáwa | Borari”, propondo o resgate da ancestralidade indígena de um grupo de artesãs, no Pará, por meio da cerâmica e da palha.

Durante o desenvolvimento de um projeto na comunidade ribeirinha de Urucureá, a designer foi surpreendida pelas poucas informações que as artesãs possuíam sobre seus ancestrais e sobre a origem da técnica do trançado de palha que utilizam no seu trabalho. Essa ausência de conhecimento pode ser fruto de anos de intimidação sofridos pelos indígenas da região, ou pelo fato de ter sido necessário optar por ser reconhecido como indígena ou população tradicional ribeirinha durante a demarcação de terras vários anos atrás, uma vez que cada opção dava direitos diferentes a seus integrantes.

O trabalho desenvolvido por Maria Fernanda recupera o valor das vidas e da importância de seus ancestrais por meio do artesanato tradicional da etnia Borari, quase inexistente nos dias de hoje: a cerâmica. O resultado disso foi a releitura na palha das formas moldadas no barro. Cada peça tem um formato e cada artesã produziu uma peça, numa forma de homenagem à etnia Borari e as suas próprias etnias sejam elas quais forem. O nome do projeto da designer, Kwasáwa, significa “conhecimento” na língua indígena Nheengatu.

Museu A Casa – Avenida Pedroso de Morais, 1216/1234, São Paulo.

  • Foto: Divulgação
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