Cultura

Por Marcelo Ribeiro 08.09.2019

A “melhora” é uma joia, não um escudo

Dentro do processo de recuperação – assim como em qualquer processo –, a “melhora” não é garantia de um futuro promissor, isento de fracassos, frustrações ou sofrimentos.  Pelo contrário, ela é apenas um sinal de que as providências e as garantias necessárias para atingi-la estão sendo tomadas e efetivadas.

Ela é um ganho, um prêmio valioso, decorrente do trabalho árduo e do esforço contínuo e permanente da recuperação.  Nesse sentido, ninguém sai pela rua, no meio da noite, em lugar ermo e perigoso, com um objeto de valor – que levou meses, muitas vezes anos para adquirir, à custa de muito trabalho e esforço – ingenuamente à mostra no pulso ou no pescoço.

Com a “melhora”, deve acontecer a mesma coisa:  ela não é um escudo, um campo de força, mas, sim, uma joia valiosa extremamente vulnerável a recaídas.  Por isso, deve ser sempre protegida – pelo tratamento e pela reformulação do estilo de vida –, ao invés de exposta a fatores de risco como prova de bravura.

O ouro não se presta para o feitio de escudos, mas, sim, para aquisição desses.

  • Foto: Reprodução Met Museum