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“Foi um homem contraditório”, diz Thiago Lacerda sobre Tiradentes

Por Carol De Barba |

Thiago Lacerda entregou-se tanto aos personagens épicos que a gente até se surpreende ao contabilizar: a participação especial como Tiradentes na nova novela das 23h, “Liberdade, Liberdade”, é só a terceira – ele também foi Giuseppe Garibaldi, em “A Casa das Sete Mulheres” (2003), e o Capitão Rodrigo Cambará, em “O Tempo e o Vento” (2014).

“Personagens históricos têm uma força muito grande no imaginário coletivo. Mas o mais interessante é investigar a figura humana que as pessoas não sabem que existiu”, conta em entrevista a RG sobre o novo trabalho.

Leia mais: “Ele não foi só o mártir, o herói. Foi um homem contraditório”, diz Thiago Lacerda sobre Tiradentes

A atuação de Thiago em “Liberdade, Liberdade” foi curta, porém intensa. Ele aparece apenas no primeiro episódio, quando a filha de Tiradentes presencia a condenação do pai à morte – peça fundamental para formação do caráter da moça que, afinal, será a protagonista da história (Mel Maia/Andréia Horta). A novela de Mario Teixeira, baseada em argumento de Marcia Prates, é inspirada no livro “Joaquina, Filha do Tiradentes”, de Maria José de Queiroz.

Segundo Thiago, mesmo para uma aparição rápida, seu processo criativo envolve muita pesquisa. O ator diz que a busca de informações sobre Joaquim José da Silva Xavier, o mártir da Inconfidência Mineira, envolveu especialmente fontes não oficiais. “Busquei muito fora dos livros de história. Descobertas jornalísticas posteriores dão conta de que ele foi uma figura controversa, um pouco diferente do busto de mármore que a gente vê. Ele não foi só o mártir, o herói. Foi um homem contraditório”, descreve.

A ideia não foi desmitificar a figura – apenas humanizá-la. “O principal desafio é mostrar a fragilidade do homem que ele foi e, ao mesmo tempo, alimentar a expectativa do inconsciente a respeito da figura”, explica.

Além do figurino elaborado, Thiago precisou esconder uma de suas marcas registradas para dar vida ao descendente de portugueses: os belos olhos azuis. “A caracterização é muito bem feita pela equipe e contribui para levar à cena uma figura que não se conhece. A lente é só uma curiosidade”, ri.

Se a participação relâmpago de Thiago na telinha deixou saudade, fique de olho nessa dica de RG: o ator logo retomará a temporada do projeto teatral dedicado a Shakespeare, ao lado de Giulia Gam, com duas peças paralelas – “Macbeth” e “Medida por Medida”. “O projeto é um sucesso. Maravilhoso, revigorante. Shakespeare parece que coloca as coisas nos seus devidos lugares… Faz a gente se sentir investigando a natureza humana, contando grandes histórias. É uma oportunidade única para o ator navegar de vento em popa”, elogia.

Ah, sim: você também poderá ouvir a voz dele em “Mogli” – Thiago é o dublador do tigre Shere Khan na versão brasileira da animação. “Foi maravilhoso! É um trabalho lindo, que morri de orgulho em fazer. Meus filhos adoram e estão superanimados para a estreia do filme”, entrega. O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (14.04).

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