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“Sinto que vamos nos dar muito bem”, afirma Marina Diamandis sobre o Brasil

Por André Aloi

Depois de cancelar a apresentação de última hora no Lollapalooza, em 2015, Marina & The Diamonds virá ao País. Ela se apresenta nesta sexta-feira (11.03) em um show exclusivamente seu, na Audio Club, em São Paulo, dentro de uma das Lolla Parties. E neste sábado (12.03) performa no festival propriamente dito, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A vocalista Marina Lambrini Diamandis conversou com RG para falar sobre a expectativa de se apresentar no Brasil, vida pessoal e muito mais.

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A diferença entre as apresentações é que o do festival é menor e a produção própria tem alguns apetrechos de palco, como cachos de frutas e trocas de roupa. “Não sei bem como vai ser, pesquisei algumas coisas sobre festivais no Brasil na internet. Mas quero ser surpreendida. Uma coisa que tenho certeza é que os fãs são muito apaixonados, cantam junto, são animados. Minha personalidade é bem assim, então acho que vamos nos dar muito, muito bem”, garante. Ela diz que conhece bem a frase “please, come to Brazil“, um meme da internet, e que a primeira coisa que vem à sua cabeça quando se fala no País é que há fãs muito apaixonados. “Criatividade vem à cabeça, também, pois são muito apaixonados pela cultura. Honestamente, estou muito animada para as apresentações”.

Ela comenta que ficou muito magoada com a reação das pessoas em relação ao cancelamento. “Não têm ideia do que passamos. Muitas pessoas ficaram chateadas, porque guardaram dinheiro, e esperavam que aparecesse. Mas nos meus sete anos de carreira, nunca tinha cancelado um festival. O motivo pelo qual cancelei é porque nosso voo foi adiado. Entramos no avião, por volta das 21h, pus meus pijamas, esperamos por uma hora e pediram para sair da aeronave. Continuamos esperando por mais nove horas no aeroporto. Saímos de lá às 6h da manhã, e disseram que o voo foi cancelado. Estava totalmente fora do meu controle. As pessoas não entenderam, mas não há nada que possa fazer. Espero que eles vão a estes shows. Desta vez, vou passar duas semanas no Brasil e fazer as coisas direito”.

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Como ela lançou “Froot” (Warner Music) em 2015, ela diz que não está preparando nenhum material novo. “Eu não tenho muitas coisas exclusivas”, ri, negando estar preparando novo álbum, DVD ou até mesmo namorando alguém… “Você me pegou no momento errado, estou bem no fim da minha campanha de divulgação. Todos meus segredos já foram revelados”, brinca, exceto pelo dueto com Clean Bandit, que já foi tocado ao vivo algumas vezes, mas a versão de estúdio nunca viu a luz do dia.

“Antes, eu sempre escrevia em turnê. Mas nessa, sinto que preciso de um break criativo, tem sido muito exaustiva, não tenho tido desejo de escrever. Mas eu sempre começo pelas letras, as coleciono. Geralmente, em três ou quatro meses antes (de entrar em estúdio). Ela diz que não tem um ritual, mas as composições vêm sempre em algum meio de transporte, por alguma razão que ela desconhece: “no avião, no trem…”. Se pudesse escolher um artista para colaborar, citaria Daniel Johnston, um cantor obscuro e variado, que fez sucesso nos anos 90 e não faz parceria com ninguém. “Ele é um cara interessante, bom personagem. Ele é bipolar e sua música é empolgante”.

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Apesar de estar sempre bem-vestida, a cantora afirma não ter um ícone fashion. “Amo roupas, os designers são importantes pra mim, mas não digo pelas tendências, pois disso não entendo. Mas sei usar as roupas que ganham vida, seja no palco, num clipe ou uma sessão de ensaio. Elas são como um complemento daquilo que estou cantando”.

Depois da fama, a coisa que mais sente falta é poder ter conversas informais, pois até uma conversa com um fã de anos tem algum significado. “Pra mim é difícil porque você muda o jeito de se comunicar. É algo que você tem que abrir mão. As coisas que a gente tem de abdicar para a carreira, sinto como algo mais prático, como não morar numa só cidade, viver longe da sua família, nunca ver seus amigos. Essas coisas são muito importantes e só me dei conta recentemente”.

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Quando consegue desligar, a coisa mais importante é voltar para casa e esquecer de tudo. Um dia perfeito, seria um em que não precisa pensar em nada disso e só quer fazer compras. “Eu gosto de cozinhar, também. Estou apaixonada por comida marroquina. Eu faço um frango apricot e também gosto de fazer sobremesas. como cardamom rose (uma espécie de suspiro, com merengue). Esse é meu divertimento quando estou sem fazer nada”, pontua.

Muitos artistas reclamam de responder às mesmas coisas. Mas se Marina pudesse fazer uma pergunta pra ela mesma, o que perguntaria? “Essa é uma questão horrorosa”, gargalha, dizendo que vai pensar um pouco. “Odeio não estar apta para responder a uma questão, mas eu realmente não sei. Perdi uma chance”. Por fim, a mulher-fruta (com o perdão do trocadilho) diz que a única coisa que não sabem sobre ela é que um carro a atropelou quando tinha 3 anos. “Mas como você pode ver, estou bem”.

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